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IM-

de FRANCISCO CAMACHO & VERA MOTA




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Nesta colaboração, o coreógrafo Francisco Camacho e a artista visual Vera Mota quiseram criar um espectáculo que desafia fronteiras artísticas, questionando as representações habitualmente atribuídas à dança e às artes plásticas, à presença do performer e à invisibilidade do autor. O investimento estético faz-se assim no sentido de estimular o espectador a um olhar renovado sobre as possibilidades de movimento e do que são propriedades coreográficas.

Em "im-", a concepção e a utilização dos materiais equacionam a possibilidade de permanecer em potência, num estado “entre”. A abstenção do fazer é tomada como condição que admite todos os possíveis, sendo que as figuras criadas pelos dois autores e intérpretes não evitam assumir, por vezes, outros papéis.

Como pode alguém permanecer ocupado não fazendo nada? Como pode um indivíduo desclassificar a sua presença? Como pode abdicar da sua condição privilegiada, de ser sublimado, em favor de algo sem qualidades e cujo destino é ser esmagado? 

Neste espectáculo a palavra chave é talvez “desclassificar”, assim, assiste-se a uma tentativa de não ser ou deixar de ser alguma coisa. im- apresenta um conjunto de situações em que as acções vêem a sua importância reduzida, são o que são, e na sua ausência de objectivos aquilo que acontece esmaga-se a si mesmo. Os diversos materiais surgem nivelados, em exercícios que se perdem, ou que são abandonados antes de se concretizarem. Tudo permanece informe, na aparência e no sentido. A tensão entre o plano horizontal e o plano vertical é permanente. 

Ao longo do espectáculo são criadas expectativas que logo se dissipam, sem nunca antes se cumprirem. Mesmo a introdução de códigos como o texto, não visa fornecer uma explicação para aquilo a que se assiste, mas sim actuar como mais um elemento disruptor. Assim, a tentação de alcançar uma chave para a compreensão de im-, é aqui contrariada.
O abandono sucessivo de materiais revela um estado de desilusão e vazio constantes. As personagens, ora diluídas no espaço, repousando inertes, ora separadas da cena pela estranheza de acções que parecem sempre desajustadas, apresentam-se desenraizadas, deslocadas, sem esforço, sem motivação. As figuras, cuja identidade é pouco clara, mantêm-se na potência do não fazer, não concretizar. 

 

Concepção, cenografia e interpretação FRANCISCO CAMACHO e VERA MOTA
Video VERA MOTA

Desenho de Luz e Direcção Técnica NUNO PATINHO
Consultoria JOÃO FILIPE MARÇAL, JOÃO MANUEL OLIVEIRA
Assistente de Ensaios PATRÍCIA MILHEIRO

Produção EIRA

Co-produção FESTIVAL DA FÁBRICA / FÁBRICA DE MOVIMENTOS, FESTIVAL CITEMOR
Apoios: NÚCLEO DE EXPERIMENTAÇÃO COREOGRÁFICA (NEC)

Agradecimentos: GHUNA X, LUÍS MAGALHÃES, GIOVANNI DE BIASIO 

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